Quarta-feira, Janeiro 25, 2012

Sofrimento

A missão era simples: assistir as entrevistas que o colega fez e transformar em off. Ok. Visita ao posto de saúde, filas, gente revoltada, gente xingando político, gente gritando palavras de ordem, reclamando que perdeu dia de trabalho. Tudo sempre igual pra quem já está habituado a mostrar as mazelas da saúde pública.
Foi aí que ouvi dona Valdivina. Cinquenta anos num rosto muito mais envelhecido e uma voz infantil. Ela tremia, freneticamente. As mãos balançavam os encaminhamentos e guias para as tão necessárias consultas com o cardiologista, neurologista e ortopedista. Valdivina tem o mal de Parkinson e nem sei se ela sabe a gravidade. Ela foi orientada a chegar cedo e chegou às 7h. A fila já era grande e ela estava há pelo menos 4 horas em pé, sem nenhuma regalia ou privilégio. Ela tremia, sacudindo o corpo todo enquanto meu colega tentava extrair informações.
Que voz e olhar doces tem dona Valdivina.
Que revoltante é pensar que ela não recebeu a atenção que precisava, que frustrante é ver a nação atentar tanto para os vexames dos realyts e ignorar, sem nenhum pesar, a realidade das Valdivinas.

1 comentários:

Guilherme disse...

Esse é o mesmo país que quer gastar dinheiro com uma copa do mundo de futebol e com uma olímpiada. Afinal, nossos principais problemas são os estádios, não?
Revoltante!