Terça-feira, Dezembro 06, 2011

Refletindo

Encontrei minha amiga Kellen Kristen Souza nesse fim de semana e falamos sobre coisificação- a transformação do outro em objeto usável e descartável. Tô prestando atenção nisso agora e ficando abismada em perceber como isso vem se tornando prática.
Boa parte das tragédias que eu vejo se explicam por esse fenômeno. Acredito que o egoísmo de algumas pessoas avança tanto sobre a consciência de quem é o Outro que fica fácil liquidar uma vida. Um assassinato nunca começa no momento do disparo do revólver ou no empunhar da faca. Começa bem antes. Um assassino nasce quando qualquer pessoa coloca seu bem estar e seus interesses muito acima do entendimento do Outro como ser dotado de subjetividade. Um assassino nasce quando qualquer um de nós perde a capacidade de empatia, de colocar-se no lugar do outro, respeitando-o. Se eu invado sua pista, obrigando vc pisar no freio só para que eu não pise no meu e não perca o meu tempo, eu demonstro que não te valorizo como me valorizo, demonstro meu adoecimento. Se você, por mais cansado que esteja, tira vantagem sobre mim, furando a fila onde quer que seja, dá sinais de que seria capaz de me matar só pra sair ganhando.
E a coisificação nos relacionamentos próximos? Quem se diz amigo pra tirar proveito, quem casa pra tirar proveito, às vezes em dinheiro, segurança econômica, às vezes em segurança emocional, quem tem filho pra tirar proveito, pra segurar casamento, pra ganhar pensão. Tem gente que não sabe se relacionar se o outro não for considerado objeto, tem quem se transforma em objeto pq sempre foi tratado assim.
Romper com esse "sistema de coisificação" - termo que eu acabo de cunhar- deveria ser meta perseguida com inteira dedicação.
Quando Cristo ordenou amar a Deus sobre todas as coisas e o próximo como a nós mesmos ele estava dando uma fórmula para descoisificarmos. E com o caminho, tb nos deu a escolha.

1 comentários:

luca disse...

Você tem muitos blogs . Como consegue administrar todos.